Lançamento do programa “Ressurgência das Memórias – A arte de inventar o possível”

5 de janeiro de 2021

Com o objetivo mergulhar na ressurgência das memórias, para resgatar os movimentos comunitários e os projetos desenvolvidos, através da metodologia DLIS, de Planejamento Participativo e Gerenciamento Integrado para a Qualidade Integral, o Flitoral fez o lançamento do programa “Ressurgência das Memórias”, em 30 de dezembro de 2020, através do site folhadolitoralcostaverde.com e do canal @flitoral21 – Youtube, com a presença de Juçara Braga, Lia Capovilla, Rodrigo Rocha, Prof. Carlos Fernando Andrade, Domingos M. Oliveira, Carlos Dei Ribas e participação especial de Sebastião Nogueira, Vagno Martins, Pablo Piedade, Karina Braz e fechamento com o grupo Teatro de Roda.

Exposição das ressurgências

O evento foi iniciado com o vídeo – “Ressurgência das Memórias”, que apresenta o conceito do programa, propondo uma analogia sobre o fenômeno das ressurgências das águas – que emergem do fundo dos oceanos com matéria orgânica que alimenta os plânctons e, esses, a vida marinha – e a ressurgências das memórias que, brotando do fundo da mente, transformam-se em ideias, ações e projetos, que  alimentam as cidades, a nação e o mundo com “a arte de inventar o possível”.

Domingos M. Oliveira (Editor do FL) apresentou os convidados e, reafirmando o objetivo do programa, comentou que se fala que “vivemos na era dos líquidos”, mas, para ele, estamos na “era dos gases”, pois tudo está indo pelos ares, temos o gases do efeito estufa, que impactam o mundo, e o RNA de um vírus que coloca o nosso DNA humano em questão. Desta forma, disse, o programa pretende buscar regatar as nossas memórias, para reascender as discussões que possam apontar mudanças para a qualidade de vida da humanidade.


Lia Capovilla (jornalista e diretora do Núcleo de Mídias Arte e Tecnologia) fez uma rápida retrospectiva das memórias da ECO TV, a realização da comunicação comunitária – numa cidade cujo desenvolvimento, nos anos 1990, era bem precário, como a telefonia, a energia elétrica, a ausência de internet, etc, – promovendo a ligação entre comunidades, disseminando ações que ficavam apartadas na própria comunidade, no dia a dia, cuja reverberação foi importante para o crescimento social, envolvendo  populações e instituições entre Angra e Paraty.

Disse orgulhar-se de ter participado deste momento especial da política pública em relação à comunicação comunitária no Brasil, e que a recuperação dessas memórias, hoje, se dá através do Núcleo de Mídias Arte e Tecnologia, que já resgatou todo o acervo da ECO TV- duas mil fitas, num projeto pioneiro em Paraty, de digitalização e catalogação desse conteúdo, apesar das dificuldades impostas pelo desmanche das politicas culturais nos últimos anos… Ressaltou em suas considerações finais que o trabalho iniciado pela ECO TV teve e tem, de certa forma, continuidade com o jornal Flitoral, que  perdura até os dias atuais, sem se curvar a interesses políticos e comerciais, “uma história que ele (o jornal) deixa, que é muito importante, pois é um exemplo de jornalismo feito em função dos movimentos sociais…e pode servir de pesquisa para jovens estudantes”, comentou.

Rodrigo Rocha (Bacharel em Biologia e Mestre em Conservação da Biodiversidade em Unidades de Conservação -Na época em que foi para Paraty, em 1997, como técnico do Idaco – Instituto de Desenvolvimento e Ação Comunitária, uma ong sediada no Rio de Janeiro – que, na época, desenvolvia um trabalho com agricultura familiar em diversos municípios do RJ – foi motivado pelo fato de Paraty ter muitos assentamentos, como em São Roque, Barra Grande, Taquari – situados em áreas de Mata Atlântica, no entorno do Parque da Serra da Bocaina, que precisavam de uma abordagem diferente, o que levou a ong a iniciar ali um trabalho de agrofloresta, agrossilvicultura, agroecologia, embora já existissem ações similares, como as da Emater.

Rocha salientou a importância de conhecer a ECO TV – emissora local, com programação local, focada no desenvolvimento das comunidades, com a qual o trabalho do Idaco teve reverberação. Disse que, em um dos cursos do Idaco, teve a oportunidade de conhecer Domingos Moura, com muitas ideias e vontade de realizar, percebendo uma conexão “quase espiritual” entre a Lia Capovilla e Domingos Moura, “pela natureza do trabalho e pela empolgação dos dois”, fazendo questão de aproximá-los, cuja “ponte” rendeu tantos frutos em amizade e cooperação.

Carlos Dei Ribas (jornalista, ator, poeta) – Rememorou o início da amizade com Domingos Moura, ainda na fase de pré-vestibular, passando pela moradia na Casa do Estudante Universitário – CEU/RJ, que rendeu a “pedagogia da CEU”, retratada no livro “A Universalidade da CEU – Histórias da Casa do Estudante Universitário”, a abertura do jornal Ícone (1992), voltado para o segmento de serviços em eletroeletrônicos, com o qual já se iniciava uma comunicação diferenciada, socioambiental que, por fim, desaguou na criação do jornal Folha do Litoral Costa Verde, hoje Flitoral, com uma pegada socioambiental, proativa e multicultural na região da Costa Verde (1995), que ganhou corpo, quando se sediou em Paraty.

Lembrou a importância que o Flitoral teve e tem em sua vida profissional, como um canal de aprendizado e reinvenção, desenvolvendo uma comunicação comunitária, com envolvimento direto entre noticiadores e noticiados, com o qual viveu momentos e acontecimentos marcantes. Dentre estes, citou a abertura da discussão da energia nuclear (Angra), a criação do Comamp (Conselho Municipal das Associações de Moradores de Paraty), no seu primeiro congresso, com mais de 300 pessoas, entre lideranças comunitárias, executivo municipal, vereadores, etc; a criação das campanhas: agroecoturismo, agroecologia, a despoluição do rio Perequê-Açu, Gastronomia Sustentável, a implementação do Planejamento Participativo, Gerenciamento Integrado (DLIS), a coleta de óleo usado “Não jogue seu óleo pelo ralo”, a Agenda 21 de Paraty, a campanha Paraty Patrimônio da Humanidade, entre outras, com as quais o Flitoral caminhou lado a lado, dando voz e repercutindo estas junto às comunidades e a outros públicos.

Juçara Braga (jornalista e escritora) – Salientou que nesse momento muito difícil no país e no mundo “é muito importante nos resgatarmos e nos buscarmos” para a construção de novos caminhos e que essas “conversas” são fundamentais para darmos novo rumo à nossa história. Ressaltou o valor do trabalho de resistência do Domingos Moura e equipe do Flitoral, nesse momento de negacionismo da cultura e de quase tudo, se mantendo a duras penas, acreditando num projeto como esse.

Se disse muito grata a Carlos Dei, Domingos Moura e João Bosco Gomes por terem-na convidado para se integrar ao projeto e que a ideia que têm discutido é dar uma nova abrangência ao jornal, com esse perfil socioambiental, proativo e multicultural com a nova logo “Flitoral – Comunicar@ções para a vida” com o objetivo de dar maior amplitude ao jornal, tirando-o de apenas uma localização geográfica, abordando temas amplos que dizem respeito a Paraty, ao estado do Rio de Janeiro, ao Brasil e a todos nós.

Da sua ressurgência de memórias, relembrou a convivência na CEU/RJ, onde suas vidas se cruzaram no final da década de 1970, num momento de grande ebulição política, sendo marcantes as lutas pela democratização e pela consolidação desta e que o momento político que vivemos hoje nos traz um grande desafio, o de não perder o “nosso fio da meada”, construído lá atrás.



Prof. Dr. Carlos Fernando Andrade (Prof. Dr. em Biologia Unicamp) – Disse que, como biólogo e ecólogo, pensar em ressurgência, conforme a proposta do programa do Flitoral, o leva a pensar nas questões da biologia da ressurgência, um fenômeno que existe em cinco locais do planeta – 5% dos oceanos), onde as águas frias vêm em correntes profundas, que depois sobem, carregando nutrientes, matéria orgânica, energia, força, com os quais aumenta a incidência de peixes (25% da produção mundial de pescados) – no Brasil, citou Cabo Frio (RJ).

Observou que ao final de 2020, as ressurgências de suas memórias lhes trazem a aposentadoria em meados do ano que lhe trouxe grandes reflexões sobre os últimos quarenta e três anos e meses de trabalho na academia, lembrando o momento em que passou a frequentar mais de Paraty, onde, na década de 1980 já desenvolvia pesquisas de controle biológico ‘de borrachudos’. E a ressurgência que lhe ocorreu fortemente com a pandemia do coronavírus, foi o início da vida de pesquisador, “adorando” as viroses, as epizootias, com populações naturais de lagartas sendo atacadas pelo vírus da ‘Poliedrose Nuclear’e morrendo, em algodoais, na plantação de soja, de maracujá, um vírus benéfico ao ser humano, na agricultura agroecológica, com os quais desenvolveu seu doutorado. Mas se choca com as epidemias em seres humanos, disse.

Ressaltou que, se estabelecendo em Paraty, isso permitiu algo muito importante, que sempre teve a parceria do jornal Flitoral, levar os seus alunos para lá desenvolver seus projetos de controle biológico de pragas e de educação ambiental, durante cerca de sete a oito anos, gerando vários trabalhos publicados, citando entre eles o projeto do Carbono Compensado, o envolvimento na coleta de óleo, o replantio no quilombo do Cabral, etc, com participação muito maior junto à sociedade, o que lhe deu “um final de carreira acadêmica muito gostoso”, afirmou.

Vídeos de ressurgências

Durante a transmissão ao vivo, foram rodados vídeos com ressurgências do Comamp, de Sebastião Nogueira, Vagno Martins, Karina Braz e Pablo Piedade falando sobre as conquistas de suas comunidades e sua arte. Após as considerações finais de cada convidado, o programa foi encerrado pelo Grupo Teatro de Roda, com texto de Domingos Oliveira e direção de Maria Rita Rezende.

Veja Vídeos

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