Mata Atlântica -Tempo de Regeneração: O Fim das Queimadas

25 de outubro de 2020

IV – Mata Atlântica: O Fim das Queimadas
Mário Douglas – chefe do Núcleo de Gestão Integrada – ICMBio – Paraty

Mário Douglas relata que existe na região unidades de conservação que pertencem ao bioma Mata Atlântica e diferentemente de outro importante bioma brasileiro, o Cerrado, “onde o manejo do fogo é feito com certa responsabilidade e, em certas situações, pode ser benéfico para a biodiversidade, para o meio ambiente, na Mata Atlântica isso não acontece”.

Para ele, as queimadas na Mata Atlântica são sempre danosas: ao solo, à biodiversidade, à vegetação, à fauna, “sempre complicadas”, mesmo fora de unidades de conservação, em áreas de cultivo, as queimadas, sendo feitas de tempo em tempo, são muito prejudiciais a estas áreas. E, em se tratando de unidades de conservação, afirma, principalmente o Parque Nacional, Estação Ecológica (que são de proteção integral), as queimadas transformam a mata em áreas abertas, que mudam o clima, a biodiversidade, alteram a relação do homem com a natureza, mudam completamente a cara e a função ecológica na região, diminuem a disponibilidade de água.

A posição dos membros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade , que tem sido assim há alguns anos, defende Mário Douglas, é extremamente proativa em relação à questão dos incêndios florestais. Desejam intensamente que a população entenda que os incêndios florestais, especialmente na Mata Atlântica, são prejudiciais para todos e não trazem benefício para ninguém. E que, o fato de hoje a região ser extremamente reconhecida pela Mata Atlântica, Patrimônio da Humanidade (Unesco), por causa deste bioma, das comunidades tradicionais, da relação destas com a floresta, nisso não entram as queimadas, porque destroem esta relação, as florestas, aquilo que fez com que essa região fosse conhecida como única no mundo inteiro.

Enfatizou que as queimadas são muito danosas, em qualquer ponto de vista que se tente observar na região da Costa Verde e em Paraty: “Então, pessoal, vamos pensar nas formas alternativas que são adequadas para a nossa região, como a agrofloresta e outras que são boas para a Mata Atlântica, boas para as pessoas e, claro, em áreas onde isso é permitido. Então, sem fogo aqui no nosso Patrimônio da Humanidade, Paraty, Ilha Grande, Cultura e Biodiversidade”, concluiu Douglas.

(*) (engloba o Parque Nacional da Serra da Bocaina a APA do Cairuçu e a Estação Ecológica de Tamoios)

Folha do Litoral Costa Verde