VARANDARANA, UMA ARQUITETURA GEOPOÉTICA

Francisco Livino – Defesa de Mestrado

A importância da Arte para a gestão das áreas protegidas

O arquiteto e analista ambiental Chico Livino conclui a sua dissertação de mestrado em Ecoturismo e Conservação, pela UNIRIO, e oferece o encantamento como uma estratégia para promover a reconciliação entre a sociedade contemporânea e as áreas naturais, apostando no Ecoturismo como um fundamental caminho para a valorização das unidades de conservação brasileiras. Por meio das pontes de reconexão afetiva que a Arte promove, entre ser humano e Natureza, Livino se vale da Geopoética, sob a orientação dos Doutores Luiza Ponciano e Pierre Crapez, para trazer traduções apaixonadas pelas áreas naturais do país, (RE)unindo Arte e Ciência, do modo como faziam os naturalistas do Século XIX.

RESUMO

A dissertação Varandarana se dedica a levantar subsídios teóricos e desenvolver uma metodologia para intervir sobre o cenário de pouco pertencimento que a sociedade brasileira tem sobre as unidades de conservação federais (UC). Esse cenário reflete um afastamento mais amplo entre sociedade e natureza, cujas consequências resultam em males recíprocos,  verificados pelos altos índices de degradação ambiental e causadores de uma série de patologias psicossociais, típicas da contemporaneidade e de seu modo de vida cada vez mais virtual.

Ao mesmo tempo em que a pesquisa busca as origens e o desenvolvimento histórico desse afastamento, também demonstra que muito além de fornecedora dos insumos para a subsistência humana, a Natureza, por seu caráter imanente, é a fonte primordial de nossa transcendência, seja pela sacralidade, pela ciência ou pela Arte.

A Geopoética sustenta as investigações de Varandarana, face à miscigenação dos enfoques poético e científico, responsáveis por um modo de pensar-sentindo para produzir conhecimento. É exatamente esse fazer miscigenado que orienta a metodologia desenvolvida nesta dissertação, cujo objetivo é oferecer, por meio da Interpretação Ambiental, caminhos para a reconciliação entre sociedade e Natureza.

Esta metodologia proclama a necessidade de dois passos estruturantes: o primeiro requer necessariamente uma imersão profunda na Natureza que se quer retratar, evoluindo o conceito de “visita técnica” para uma “imersão Geopoética”, onde se colherão as sementes para o plantio das ideias. O segundo passo é a vivência intensa com uma variada produção artística, buscando fontes naquelas obras que se dedicam a retratar, em variadas linguagens, os ambientes naturais do país.

É do intérprete (seja ele arquiteto, poeta, desenhista, contador de histórias…) a responsabilidade de traduzir para linguagens inteligíveis ao ser humano a grandiloquência da Natureza, fazer com que as mensagens daquelas paisagens protegidas eclodam em obras que as comunicarão. A Interpretação Ambiental se oferece como prática para a construção de pontes afetivas e sensíveis entre o ser humano e a Natureza, por meio da visitação aos parques nacionais e demais categorias de UC.

Ao se trabalhar a concepção de produtos interpretativos se está, exatamente, associando Arte e investigação, uma vez que é a linguagem poética (seja ela escrita, filmada, construída…) que dará à mensagem científica o seu aspecto lúdico e atraente. Há uma ênfase nos aspectos relacionados à Arquitetura como produto interpretativo, pelo fato desta linguagem estar negligenciada nas UC nacionais, não obstante toda a sua importância como elemento de tradução e veiculação da história humana.

Varandarana oferece como resultados diversos produtos que integram as vertentes científica, artística e técnica, visando promover uma mudança de paradigmas na forma de se intervir arquitetonicamente nas unidades de conservação federais e contribuir para o enriquecimento da Interpretação Ambiental no ICMBio.

Palavras-chave: Arquitetura; Interpretação Ambiental; Unidades de Conservação; Geopoética; Ecoturismo. 

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Editor Flitoral

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