
Em Paraty, a falta de energia elétrica tornou-se um problema recorrente, especialmente durante a alta temporada, quando a população da cidade praticamente dobra devido ao fluxo turístico. Esse aumento abrupto na demanda sobrecarrega a infraestrutura existente, resultando em apagões frequentes que afetam tanto moradores quanto visitantes.
Nesse contexto, torna-se ainda mais urgente uma leitura coletiva do planejamento estratégico do Fórum DLIS Agenda 2030 de Paraty, elaborado em 2016, que já alertava para esses indicadores. O documento destaca a necessidade de diálogo permanente entre poder público, instituições e comunidades, convocando insistentemente a construção de uma responsabilidade compartilhada sobre o futuro do município.
Apesar das manifestações populares e das críticas direcionadas à concessionária responsável pelo fornecimento de energia, as soluções implementadas têm sido paliativas. A ausência de um planejamento urbano eficaz, evidenciada pela falta de uma lei de bairros, contribui para o crescimento desordenado da cidade. Segundo dados do Censo de 2022, Paraty apresentou um crescimento populacional de 19,55% em relação a 2010, tornando-se o segundo município com maior crescimento no estado do Rio de Janeiro.
Além disso, Paraty recebe aproximadamente 600 mil visitantes anualmente, o que intensifica a pressão sobre os serviços públicos e a infraestrutura urbana. A combinação de crescimento populacional acelerado, turismo intenso e falta de planejamento adequado coloca a cidade em uma posição vulnerável frente às mudanças climáticas e aos desastres naturais, como inundações e deslizamentos.
É imperativo que Paraty adote medidas concretas para enfrentar esses desafios. A implementação de um plano diretor eficaz, a regulamentação do uso do solo e investimentos em infraestrutura resiliente são passos fundamentais para garantir a sustentabilidade e a qualidade de vida na cidade. Sem ações estruturais — e sem uma corresponsabilidade construída coletivamente — a “luz no fim do túnel” pode se transformar em um sinal de alerta para um futuro incerto.