
Paraty chega a 2026 ostentando conquistas raras no Brasil: o reconhecimento como Patrimônio Mundial pela Cultura e Biodiversidade e como Cidade Criativa da Gastronomia Sustentável, concedidos pela UNESCO. Esses títulos projetam o município internacionalmente e reforçam sua vocação como território onde natureza, cultura e tradição alimentar convivem de forma singular. A cidade deixou de ser apenas destino turístico para se tornar referência global.
Mas, títulos não substituem estrutura. Desde o DLIS de 2000 e o Planejamento Estratégico de 2015, os diagnósticos apontam a necessidade de governança forte, ordenamento territorial, saneamento universal e diversificação econômica. Parte desses desafios permanece, agora pressionados pelo forte crescimento populacional.
A expansão urbana desordenada sobrecarrega serviços, especialmente o saneamento, ainda um gargalo crítico para a proteção ambiental e a qualidade de vida. No campo fiscal, a dependência do turismo e dos royalties do petróleo amplia a vulnerabilidade municipal.
Após quase sete anos do título, a criação do edital do Conselho Gestor do Sítio, em fevereiro de 2026, ainda que tardia — mas antes tarde do que nunca — representa um avanço institucional relevante. O desafio agora é fazê-lo funcionar com regularidade, transparência e participação social efetiva. Paraty acumulou capital simbólico; precisa consolidar capital estrutural.
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