Data instituída por lei municipal reforça a importância da preservação de um dos maiores patrimônios históricos do Brasil
No próximo 21 de agosto, Paraty celebra os 366 anos da abertura oficial do Caminho do Ouro, uma das mais importantes rotas históricas do Brasil Colonial e símbolo da formação econômica, cultural e social do município.
Foi em 21 de agosto de 1660 que o governador Salvador Correia de Sá e Benevides determinou a abertura das estradas que ligavam Paraty ao território de São Paulo, conforme registra documento da época:
“Mandou abrir, e descobrir as estradas desde aquele território (Paraty), ao de São Paulo, para entabularem as minas de sua repartição.”
A partir dessa decisão, Paraty consolidou-se como um dos principais portos da Colônia Portuguesa, tornando-se a porta de entrada e saída das riquezas minerais transportadas entre Minas Gerais e o litoral. Durante mais de dois séculos, o Caminho do Ouro foi percorrido por tropeiros, viajantes, comerciantes, povos originários, pessoas escravizadas e autoridades, tornando-se um dos maiores testemunhos da história brasileira.
O movimento de valorização desse patrimônio ganhou força 343 anos depois, quando, em 25 de julho de 2003, o Fórum DLIS de Paraty – Agenda 2030, em parceria com o Sebrae/RJ, a Prefeitura Municipal de Paraty e com o apoio do Jornal Folha do Litoral Costa Verde, inaugurou o Marco do Caminho do Ouro, na Estrada Paraty–Cunha, km 8, em frente à Igreja da Penha. A iniciativa marcou o início de um amplo processo de mobilização para a preservação, valorização e revitalização de um dos mais importantes patrimônios históricos de Paraty.
No ano seguinte, foi sancionada a Lei Municipal nº 1.419/2004, de autoria do então vereador Casé Miranda, que declarou o Caminho do Ouro, também conhecido como Caminho Velho da Estrada Real, patrimônio histórico e cultural do município.
Em 10 de dezembro de 2007, o prefeito José Carlos Porto Neto sancionou a Lei Municipal nº 1.592/2007, de autoria do vereador Anderson Rangel, atendendo a uma solicitação do Fórum DLIS. A legislação instituiu oficialmente o Dia Municipal do Caminho do Ouro, comemorado anualmente em 21 de agosto, e oficializou a logomarca do Caminho do Ouro, criada por Tom Maia, com concepção gráfica de Domingos Oliveira.
Outro importante marco desse processo de valorização ocorreu em 24 de setembro de 2008, quando foi inaugurada a sinalização turística e histórica do Caminho do Ouro – Estrada Real. A solenidade teve início às 11 horas, na Praça do Chafariz, local escolhido para receber o Marco Zero do Caminho do Ouro, referência oficial do trajeto em Paraty.
Na ocasião, foram apresentados 21 marcos de sinalização, instalados entre Paraty e a divisa com o município de Cunha (SP), delimitando o traçado do Caminho Velho da Estrada Real e oferecendo aos visitantes referências históricas ao longo do percurso. A cerimônia contou com a presença do então prefeito José Carlos Porto Neto, representantes de instituições parceiras, autoridades, moradores e integrantes do Fórum DLIS, consolidando mais uma etapa do processo de reconhecimento e valorização desse patrimônio histórico.
Passados 366 anos, o Caminho do Ouro permanece como um dos principais patrimônios históricos, culturais e ambientais de Paraty. Seu valor foi ainda mais fortalecido após o reconhecimento de Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial da UNESCO, em 2019, pela excepcional integração entre cultura e biodiversidade.
A data representa também um convite para retomar ações de conservação e valorização desse patrimônio. Entre elas, destaca-se a continuidade do projeto “Na Trilha da História”, voltado à recuperação do Centro de Visitação do Caminho do Ouro, à manutenção da trilha histórica, à melhoria da sinalização interpretativa e ao fortalecimento da educação patrimonial, da pesquisa e do turismo sustentável.
Mais do que celebrar um marco histórico, os 366 anos do Caminho do Ouro reafirmam a importância da união entre poder público, instituições, iniciativa privada e comunidade para preservar um legado que pertence não apenas a Paraty, mas à história do Brasil.
Preservar o Caminho do Ouro é manter viva a memória de um território que ajudou a construir o país. É reconhecer o valor de uma rota histórica que integra a paisagem cultural de Paraty, fortalece o turismo sustentável, impulsiona a economia local e reafirma o compromisso da sociedade com a proteção de um patrimônio que deve ser transmitido às futuras gerações.