Previsíveis desastres ambientais, reforçam urgência de geointeligência na Costa Verde

Os municípios de Paraty e Angra dos Reis, marcados pelo relevo acidentado da Serra do Mar e pelo alto índice pluviométrico — fatores agravados pelas mudanças climáticas — acumulam, nas últimas décadas, sucessivos episódios de chuvas intensas, deslizamentos, interrupções no fornecimento de energia e bloqueios na mobilidade.
A esse quadro somam-se fatores estruturais históricos, como a abertura da BR-101 (Rio-Santos), cuja engenharia é considerada contestável à luz dos critérios ambientais e geotécnicos atuais, além da implantação das usinas nucleares, que impulsionou o crescimento populacional e pressionou a ocupação de encostas, margens de rios e áreas de mangue.
O cenário voltou a se repetir em fevereiro de 2026, quando temporais atingiram a Costa Verde. Em Angra, a Defesa Civil registrou 392 desalojados após quase 200 milímetros de chuva. Em Paraty, o acumulado chegou a 162 milímetros, provocando alagamentos, deslizamentos e interdições na rodovia.
O histórico regional inclui os deslizamentos de 1985, em Angra, que destruíram o Laboratório de Radioecologia; os temporais de 2009, que deixaram Paraty isolada por semanas; e a tragédia de 2022 na comunidade da Ponta Negra, que resultou em sete mortes.
Especialistas defendem que parte dos impactos pode ser mitigada com investimentos em geointeligência. O uso de mapas digitais, monitoramento pluviométrico e modelagem do terreno permite identificar áreas de risco, orientar o planejamento urbano e antecipar ações preventivas diante de eventos extremos cada vez mais frequentes

      
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Editor Flitoral

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