
Em entrevista à Folha do Litoral, o presidente da Câmara Municipal de Paraty, vereador Vagno Martins, detalhou os objetivos e os desdobramentos da Reunião Pública sobre Segurança Pública, realizada em 19 de janeiro de 2026, às 14h, na sede do Legislativo.
Segundo Martins, a audiência foi convocada para promover um diálogo direto entre poder público, forças de segurança e sociedade civil diante de episódios recentes ocorridos em comunidades do município. Ele explicou que a condução dos trabalhos começou com uma apresentação sobre o território de Paraty — da zona continental às áreas urbanas e rurais — para evidenciar como os desafios geográficos impactam a política de segurança.
A mesa de debates contou com a presença do prefeito José Carlos “Zezé”, do vereador Lucas Cordeiro, do secretário municipal de Ordem e Segurança Pública, do delegado da 167ª DP, além de representantes da Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ambiental, Marinha do Brasil, INEA e da Procuradoria da Câmara.
Martins destacou que o objetivo foi “escutar todos os lados”. Ele reforçou a importância do Plano Municipal de Segurança, defendendo maior participação popular em sua construção e alinhamento com estratégias estaduais e federais, além de convidar a população para as reuniões mensais do Conselho de Segurança, realizadas na primeira quarta-feira de cada mês.
Durante a audiência, o Comandante da Polícia Militar informou que cerca de 90 novos policiais devem ser convocados para Paraty a partir de março, enquanto o delegado da 167ª DP ressaltou que todas as denúncias são sigilosas e investigadas, destacando o papel da tecnologia e das parcerias interinstitucionais.
Moradores e associações comunitárias tiveram espaço de fala e relataram medo, ameaças, cobrança de “taxas” por criminosos, necessidade de um posto de polícia comunitária em Trindade, melhorias na iluminação pública e maior atenção às ocupações irregulares. Também foi cobrada a inclusão da pauta de violência contra a mulher nas políticas de segurança.
Prefeito aborda segurança, orçamento, saneamento e Patrimônio Mundial
Em entrevista à Folha do Litoral, o prefeito Zezé avaliou a reunião como positiva e necessária para aproximar Estado, município e comunidade. Ele reconheceu que Paraty enfrenta dificuldades junto ao sistema de Justiça — o município está sem juiz desde o ano anterior — e afirmou que cobra constantemente apoio do Governo do Estado para reforço de efetivo e equipamentos.
Sobre orçamento, o prefeito explicou que Paraty perdeu cerca de R$ 50 milhões em royalties em 2024, o que afetou projetos como o sistema de monitoramento por câmeras. Mesmo assim, disse estar buscando recursos via emendas parlamentares estaduais e federais para viabilizar investimentos em 2026.
No saneamento, Zezé informou que ainda há cerca de R$ 8,5 milhões do FECAM pendentes de liberação. Parte do recurso já foi liberada, e a prefeitura tem repassado cerca de R$ 400 mil mensais à concessionária Águas de Paraty. Ele revelou que o projeto original não incluía o Centro Histórico e que a gestão trabalha para corrigir isso e priorizar a área.
Sobre o título de Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial, concedido há seis anos, o prefeito alertou que a ausência do Comitê Gestor do Sítio representa um risco real. Segundo ele, o conselho envolve IPHAN, ICMBio, e as prefeituras da região, e o município seguirá cobrando sua efetivação.
A reunião foi encerrada com o compromisso de manter o diálogo aberto e utilizar as contribuições da população para subsidiar o planejamento de ações de segurança, reafirmando que “a segurança pública não se constrói com silêncio e medo”