Festival OBS – Gastronomia Sustentável

10 de março de 2021

No contexto do Festival OBS – Cultura e Biodiversidade, o jornal FLitoral promoveu em 17/03 uma roda de conversa sobre a Gastronomia Sustentável de Paraty, com Celso Merola (ex- representante do Ministério da Agricultura) Gilberto Mascarenhas (membro da Rede SIAL Brasil e promotor internacional da Gastronomia Sustentável de Paraty), Jorge Ferreira(Naturista agroflorestal), Ladjane Silva(diretora da Cooperativa Serra do Mar) Luciana Marinho   (presidente do Polo Gastronômico de Paraty) e Tadeu Melchiades Filho(Administrador/UFF, focal point junto a rede de Cidades Criativas da UNESCO pela Secretaria de Cultura de Paraty).

O Festival OBS Cultura e Biodiversidade tem subsídio do Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/RJ, através da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural.

Comercialização direta e culinária sustentável

A Gastronomia Sustentável de Paraty foi lançada em 2 de julho de 2008, na OFF FLIP, com a finalidade de articular um canal de comercialização direta entre produtores rurais e pescadores com o circuito gastronômico do município, e teve como base inicial o  Agroecoturismo, o Plano de Governo das Comunidades e as diretrizes da Agenda 21 para a Indústria de Viagens e Turismo com o Desenvolvimento Sustentável, propostas pela Organização Mundial do Turismo.

Para promover este conceito gastronômico, foi criado o Circuito Pratos Literários da Gastronomia Sustentável de Paraty, que é realizado anualmente durante a FLIP, no circuito paralelo de ideias – OFF FLIP, com encerramento no Festival da Cachaça de Paraty, comemorando o 21 de agosto como dia oficial do Caminho do Ouro.

Planejamento Estratégico e Certificação


Jorge Ferreira e o Sec. de Turismo, Amaury Barbosa entregam Planejamento Estratégico ao Vereador Vidal para sevir de base para o projeto de lei

Com apoio do Sebrae foi desenvolvido um Planejamento Estratégico, que serviu de base para o reconhecimento e oficialização da Gastronomia Sustentável de Paraty, através da  lei municipal (N°1839 /2012).

Esse Planejamento Estratégico da Gastronomia Sustentável foi  encaminhado pelo agricultor Jorge Ferreira à Câmara de Vereadores, sendo transformada em lei municipal pelo então vereador e hoje prefeito Luciano Vidal.

Em concordância com esta lei o Fórum Dlis – Agenda 21 de Paraty certifica anualmente no mês de dezembro os restaurantes, instituições e produtos com o selo da Gastronomia Sustentável de Paraty.


Experiência e vivências

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Celso Merola – Falando sobre os efeitos da pandemia na Gastronomia Sustentável, lembrou que dedicou boa parte da sua atividade no Ministério da Agricultura nos últimos anos em Paraty, juntamente com Gilberto Mascarenhas, e que Paraty tem grande potencial para desenvolver atividades para fortalecer a agricultura familiar, os negócios ligados a esta, como o ecoturismo, a valorização da sociobiversidade, a questão da produção orgânica e suas diversas referências.

Sobre a roda de conversa que participou na OffFlip Transviral em 2020, disse que levantou uma série de questões relacionadas ao momento complicado, lamentando a redução das políticas de apoio para implemento de ações positivas, mas que a equipe tem tentado buscar formas de trabalhar em conjunto com as diversas entidades, como a reunião com o pessoal do Ministério da Cidadania, buscando colocar um consultor, para desenvolver uma marca coletiva para produtos da sociobiodiversidade da região.

Falou da grande experiência da atual diretora Executiva da Emater, Sttela Romano no trabalho de fomento, de apoio à agricultura familiar, e que certamente buscará recursos para ajudá-los a desenvolver isso. Acrescentou que, no dia 17, ela recebeu o secretário Agricultura de Angra dos Reis, e que já conversaram também com o prefeito de Paraty sobre alguns temas, como a questão do fornecimento de alimentos para merenda escolar – que é via agricultura familiar, a necessidade de fortalecimento dos produtores de orgânicos do município e trabalhar esses produtos que, têm um enorme potencial em Paraty, além da cachaça – que já teve um significativo trabalho.

Gilberto Mascarenhas – Disse ser um prazer voltar à Paraty mesmo que virtualmente para discutir a potencialidade da terra, a experiência de Paraty na Gastronomia Sustentável e que, com a pandemia, a localização e a territorialização da agricultura, o desenvolvimento dos sistemas locais se reforçou, ganhando novo foco, frente à impactação da tendência de globalização pela dificuldade de mobilização. Citou experiências, no Ceará, com revalorização da comida local, “parecido com Paraty”, gerando um renascimento e colocando esses sistemas em ponderanderância, como em inúmeros trabalhos ao redor do mundo. Reafirmou que a rede SIAL – rede brasileira de agroalimentares localizados, que também está ligada às redes SIAL americana, e europeia, desenvolve um trabalho na perspectiva de territorialização da comida, dos hábitos, dos costumes, das tendências, das tradições – uma variante constante, dinâmica.

Desta forma, acrescentou que Paraty, com a Gastronomia Sustentável e a luta da Agenda 21, do polo turístico, de Paraty e a conquista recente do referencial do Patrimônio da Humanidade vive um bom e importante. Momento – que divulga cada vez mais a cidade. E nesse sentido, observou, coloca à disposição o Blog –hoje com mais de 500 mil visualizações para diversas experiências como a Gastronomia Sustentável de Paraty, de costumes locais de valorização e como o Celso Merola falou, de marcas coletivas, Indicações Geográficas, etc. “Então acho que esse é um momento bom. Momento de pandemia em que tudo se fecha, momento de se voltar ao local. Porque no local as pessoas se conhecem e se confiam um nos outros”, concluiu.

Jorge Ferreira – Falou que buscamos a valorização do ser humano junto à terra, à conquista da sua base de vida que é o alimento e que o momento atual tornou-se uma grande oportunidade de reflexão como sobre o quanto o alimento é um ato político, um ato que nos leva a nos comportar ou deixar de ter comportamento tão integrado. Desta forma, acredita que a gastronomia tem um papel importante para repensarmos como seres humanos e como habitamos esse planeta. Reafirmou a valorização do alimento que, para ele, traz real percepção da sua importância para a preservação como um todo: da saúde mental, saúde do solo, porque valorizamos exatamente as pessoas que estão com a mão na terra, no dia-a-dia, em nosso entorno, que traz geração de renda e autoestima. Observou que desde que começou o movimento de Gastronomia Sustentável em Paraty, tinha pessoas participando, hoje existe um movimento integrado e a cidade inteira está envolvida com isso, embora nem sempre carregue consigo o título da Gastronomia Sustentável. Mas, muitas pessoas se voltaram para essa prática, mesmo não fazendo parte desde o início, nem no meio, nem agora.

Mas disse perceber em cada lugar que visita, restaurantes, agricultores, pessoas mais conectadas ao olhar para o seu quintal e para o que brota ao seu redor. E, assim, se encaminha para outra esfera, das plantas alimentícias não convencionais- Pancs, um trabalho que desenvolve hoje, que para ele, mais que um trabalho tornou-se missão de vida, uma importância para salvar o planeta, e para valorização das espécies que germinam naturalmente nos arredores, que são alimentícias e medicinais – “um ato que a gente consegue provar, e há abundância desse alimento e o que falta é o reconhecimento disso”.

Sendo assim, Jorge Ferreira acredita que a preservação ambiental, esse conceito que pregam e seguram essa bandeira, há muitos anos defendendo-o, se resume nisso: conhecer seu território, conhecer as espécies que nos cercam e conseguirmos levar integralmente essa relação de preservação de vida ambiental. “Hoje trabalho com esse foco, sou consultor de planejamento estratégico de produção agrícola, planejo também cardápios em restaurantes, orientando chefes de cozinha, apadrinhar agricultores, ao mesmo tempo, sinto que esse é um caminho que me escolheu, não eu escolhi o caminho”, complementou.

Luciana Marinho – Agradeceu a oportunidade de rever os amigos da época do início de Gastronomia Sustentável , falando que a perspectiva em Paraty ainda é uma das melhores. Se disse otimista, acreditando que vai dar tudo certo, que mesmo sem saber qual o futuro, consegue enxergar muita garra e vontade nas pessoas, apesar do medo de algo dar errado, mas acredita que a maioria também está otimista em relação ao movimento da Gastronomia Sustentável, da gastronomia com Pancs, da gastronomia caiçara,

Ladjane Silva – Disse que acompanha a Gastronomia desde o começo, pois um dos itens o descarte sustentável do óleo usado, e naquele momento apresentaram aos restaurantes o projeto da campanha ‘Não jogue seus óleos pelo ralo’ e assim, mas que está complicado. Falou que a Cooperativa Serra do Mar, junto a alguns parceiros tem feito esforços necessários para tentar manter essa campanha funcionando, porém, infelizmente, todos também estão impactados com a pandemia,

mas para a Cooperativa, agora é de extrema necessidade a retomada do acordo de cooperação com a Prefeitura – que expira em maio e a retomada do Plano de Trabalho, com todos os aspectos, como será feito durante o período em que esse termo esteja em funcionamento, faltando apenas sentarem-se para conversar, acertar os termos de parceria e colocá-lo em prática “porque o Município tem leis, todos os aspectos legais” para colocar esse trabalho na ordem do dia.

Tadeu Melchiades – Começou conceituando a ‘Paraty – Cidade Criativa’, pelo UNESCO, que recebeu o título no final de 2017 após longo e árduo trabalho do diversos setores, especialmente com base na Gastronomia Sustentável, com a evolucão da marca, evolução dos conceitos e trabalhando já com Agenda 2030, com objetivo da economia sustentável da UNESCO. Colocado isso, falou que fizeram diversas representações internacionais, nacionais e regionais, um  trabalho com forte ligação tanto com o meio ambiente, a sustentabilidade, quanto com o turismo que faz toda projeção da cidade em nível global, mas que nada disso pode ser feito simplesmente pela propaganda, pois existe a preocupação de tornar isto sustentável, cuidar da cadeia produtiva como um todo, não só do restaurante, mas desde o plantio, desde a colheita, a coleta seletiva toda essa iniciativa que visa possibilitar um ambiente em que surjam novos eventos novos iniciativas novas ações. Lamentou o momento crítico, do aumento de casos de infecção por covid-19, o fechamento das cidades com barreiras sanitárias, restrição do acesso para manter a segurança da população, devido à pandemia, mas principalmente pela falta de planejamento do governo federal “um governo praticamente genocida que, ao mesmo tempo, pouco faz com linhas de créditos, com o auxílio emergencial, que agora vem uma segunda edição,  com valor baixíssimo”. Disse que a cidade promoveu no início algumas linhas de crédito e agora estão focados ter ações da cidade criativa fazendo um trabalho desde o Mercado do Produtor Rural, Mercado do Peixe, com a Casa da Cultura, através de cursos de formação para combinar mais à frente com a Escola Técnica e alguns cursos na área da Gastronomia, tudo na área da economia criativa.

Salientou que há ainda outras iniciativas em andamento, a divulgação com apoio institucional a reestruturação e popularização do Mapa do Gosto, a reorganização do Centro Histórico, atuando junto aos carrinhos de doce – que são patrimônios – com a padronização da oferta de doces tradicionais, a Gastronomia Responsável, uma porta de entrada com menos critérios, mais para que se alcance o selo de Gastronomia Sustentável, “isso inclui restaurantes”, e a atualização de toda a parte jurídica com a promoção de toda a cadeia produtiva de Paraty, a popularização da longa história, através do livro ‘Delícias de Paraty’, em médio e longo prazo, um desafio para todos, desde as áreas de educação até do meio ambiente, o turismo a gastronomia sustentável. Disse que está um pouco complicado, mas que estão trabalhando com muita vontade para fazerem as coisas acontecerem em relação à Certificação, e reforçarão a coleta de óleo que possibilitará maior arrecadação entre as premiações para o município com o ICMS Verde. Falou ainda: da mudança do material gráfico de divulgação com um contexto explicativo conceitual, identidade visual; que estão conversando com outras secretarias como a ade agricultura e Pesca, bem como com outras cidades da rede de cidades criativas para outras ações conjuntas; da oferta de cursos de formação e revitalização dos espaços da Feira da Agricultura Familiar; da importância escola de comer que liga diretamente a produção orgânica produtor rural por junto com as escolas com toda a compra de merenda, etc.

EXPEDIENTE:

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Folha do Litoral Costa Verde