Paraty sediou, no último dia 2 de abril, na Casa da Cultura, o Fórum Patrimônio Mundial – Saneamento, Segurança, REURB-S e PPA. O encontro reuniu representantes do poder público, entidades e sociedade civil em torno de temas centrais para o futuro do município. No entanto, para além das falas e boas intenções, o que ficou evidente foi um problema recorrente: a fragilidade da articulação institucional.
Mediado por Caio Esposito, membro do grupo diretivo do Fórum DLIS Agenda 2030 de Paraty e representante da Casa Azul, o encontro contou com a participação de Núbia Nogueira (IPHAN Costa Verde), Felipe Santo (Secretaria de Meio Ambiente de Paraty), José Cláudio Vieira Duarte Coelho (Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária), Tito Cals (Comitê de Bacias da Baía da Ilha Grande), Luiz Paulo (Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERHI-RJ) e Ladjane Silva (Cooperativa Serra do Mar). Também esteve presente Domingos Oliveira, da Folha do Litoral.
A presença dessas instituições demonstra que ainda há setores comprometidos com o debate e com a construção de políticas públicas. Ainda assim, a ausência de atores estratégicos revelou um cenário preocupante.
Na pauta da segurança e do PPA, os secretários de Planejamento, Dax Goulart, e de Segurança, José Pereira Carlos, informaram que, por questões de urgência, não puderam comparecer ao evento. Ainda assim, foi destacado que a prioridade da área de segurança, neste momento, é a elaboração do Plano Municipal de Segurança de Paraty e o PPA – Plano Plurianual do orçamento municipal.
Apesar das fragilidades observadas, duas notícia positiva foi destacada durante o encontro: segundo: José Cláudio Vieira Duarte Coelho (Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária) a implantação da REUBES , esegundo Núbia Nogueira (IPHAN Costa Verde), está sendo encaminhada ao IPHAN nacional a minuta de composição das instituições para a efetivação do Comitê Gestor do título de Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial — passo fundamental para a estruturação da governança do território.
Ainda assim, instituições diretamente vinculadas ao título de Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial pela Cultura e Biodiversidade — como Câmara de Vereadores, ICMBio, Sesc e o Convention & Visitors Bureau (CVB) Paraty — não participaram. No campo comunitário, a representação foi mínima: apenas o Condomínio Portal de Paraty e a Associação de Moradores do Jabaquara estiveram presentes.
O título de Patrimônio Mundial não se sustenta apenas por reconhecimento internacional. Ele exige governança, presença institucional e compromisso contínuo. Sem isso, corre o risco de se tornar apenas um selo simbólico, distante da realidade cotidiana do território.
Em um contexto marcado pela queda de arrecadação dos royalties do petróleo, pelos conflitos no Oriente Médio e pelo avanço das milícias nas comunidades, a ausência de coordenação entre instituições se torna ainda mais grave. O que está em jogo não é apenas a preservação de um título, mas a capacidade de Paraty, Angra dos Reis – Ilha Grande e os municípios que fazem parte do sítio misto do patrimônio, construir um modelo de desenvolvimento sustentável, integrado e participativo.
O Fórum DLIS Agenda 2030, que completa 26 anos, permanece como um dos poucos espaços de diálogo estruturado entre diferentes setores. No entanto, sua efetividade depende diretamente do engajamento real das instituições e da sociedade.
Mais do que discursos, o momento exige presença, responsabilidade e ação. A retomada do movimento comunitário e o fortalecimento de instâncias como os conselhos de associações de moradores — a exemplo do COMAMP, em Paraty, e do COMAM, em Angra dos Reis — são caminhos possíveis para reequilibrar esse cenário.
A pergunta que permanece é simples, mas incômoda: quem, de fato, está comprometido com o título de Patrimônio Mundial?