EUCLIDES e DOSTOIÉVSKI nas CARAVANAS OFFflip PARATY 2019

Texto de Noilton Nunes

“Leia Dostoiévski… Leia Dostoiévski… Não se esqueça do que eu estou te dizendo. Leia Dostoiévski que você encontrará o caminho para terminar seu filme.”

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Fiódor Dostoiévsk, , Roberto Ventura  e Noilton Nunes

Foram a últimas palavras que ouvi dele, pronunciadas já de dentro do carro. Tomamos o café da manhã juntos. Ele, Roberto Ventura, Gigi e eu. Era agosto, domingo. Estávamos no mesmo hotel, convidados para participar da Semana Euclidiana de 2002, em São José do Rio Pardo, cidade berço de Os Sertões, que comemorava o centenário de lançamento do famoso livro.  Roberto e eu, sempre que nos encontrávamos, brincávamos sobre quem terminaria primeiro. 

A biografia que ele escrevia sobre Euclides da Cunha era um livro esperado há mais de dez anos e o filme que eu anunciava, já passava dos vinte e nenhum de nós dois dávamos pistas de estarmos perto do fim. Ligou o motor do carro e partiu. Roberto deu algumas palestras, algumas aulas e ia a São Paulo passar o Dia dos Pais com seus filhos. Prometia voltar no meio da semana para a Conferencia de Encerramento. 

Fiquei com aquela frase rodando na minha cabeça. “Leia Dostoiévski…” o que ele queria me dizer? 

Na minha adolescência eu lera Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamazovi, que o tornaram ídolo de seus leitores, guia espiritual, exemplo de força e coragem, “o Escritor da Russia”. 

Será que Roberto estava se referindo ao Diário de Um Escritor, que eu nunca li, mesmo tendo vivido minha fase de literatura russa apaixonadamente, quando também conheci Gorki, As Minha Universidades, A Mãe… 

Ou será que Roberto me desafiava, me induzia, a pelo menos tentar fazer uma obra que pudesse retratar com fidelidade a alma e a condição humana de um escritor como Euclides? 

De repente veio a notícia. Roberto Ventura sofreu um acidente na estrada. Não chegou com vida em São Paulo. 

Passaram-se alguns anos e o livro dele apareceu, pronto. Alguns dos seus amigos mais próximos, juntaram tudo que ele já havia pesquisado e escrito. Com muita determinação colocaram um ponto final na obra e a libertaram. 

Quando vi o livro pela primeira vez, quando li cada frase, cada página, cada foto, sentia que todas as idéias dele se misturavam nos meus neurônios emocionadamente com as narrativas dos muitos roteiros dos inacabados filmes que eu imaginara fazer. 

Roberto, morto, me venceu. Ganhou a nossa simpática corrida olímpica.

Terminou seu livro vingador. 

E eu continuava sem saber o que fazer para conseguir as condições mínimas para me recolocar perante tão grandiosa empreitada. Começara a filmar justamente as sequências da criação do “livro monumento nacional”, lá mesmo em São José em 1986. Com Breno Moroni fazendo um Euclides que convencia até mesmo as seculares pedras dos caminhos por onde o verdadeiro andara. Uma atriz argentina, Katja Alemann, no papel de Ana. A cidade toda mobilizada. De manhã dávamos entrevista na rádio anunciando as cenas que seriam filmadas durante o dia. Tudo o que precisávamos, pedíamos. Os ouvintes atendiam. Cenários e figurinos eram enriquecidos com a gentileza do povo riopardense. Um búfalo. Precisamos de um búfalo. No dia seguinte apareceram seis. Um deles era branco. Albino. De olhos azuis. Foi o escolhido para ser montado pela nossa Lady Godiva, Katja, que nua atravessaria a ponte majestosa, reconstruída pelo engenheiro Euclides, numa liberdade poética do roteiro.

As filmagens em São José merecerão um capítulo especial do livro que estou elaborando contando as aventuras e desventuras desse filme sobre a vida e obra de Euclides.

Agora, quero deixar claro como nasceu a decisão de encerrar tão longo processo.

Eu não aguentava mais ouvir meus amigos, meus colegas, conhecidos e desconhecidos; gente que admira o Euclides; pessoas que gostam de mim; todos me perguntando sobre o filme. 

Os anos se passavam e as dificuldades só aumentavam. As primeiras cenas filmadas em 35mm no final de 1986 e começo de 87 envelheciam. Os atores envelheciam. E nada. Cheguei a desistir diversas vezes. Mas, sempre acontecia uma espécie de chamamento e eu não conseguia dizer não. Voltava a carga, mesmo sem vislumbrar no horizonte muitas possibilidades de conseguir os recursos necessários.

Ao me deparar com o livro do Ventura pronto, terminado, repito, graças ao empenho de seus amigos, uma primeira questão passou a me perturbar imediatamente. 

Será que meus amigos cineastas fariam o mesmo com meu filme, caso eu também morresse deixando o filme inconcluso?

Passei várias noites imaginando como seria. Veriam tudo o que eu tinha filmado? Tentariam fazer uma narração explicativa? Montariam linearmente? Ou nada fariam e todas aquelas horas e mais horas de copiões em 35mm, cenas em 16mm, vídeos Umatic, Vhs, reportagens gravadas da tv, entrevistas mais recentes em digital… tudo iria para a lata de lixo da história? 

O livro do Ventura foi um sinal de alerta.

Mas, o decisivo momento foi quando o meu neto nasceu. Quando vi aqueles olhos bem abertos do recém nascido Francisco, filho do meu filho Pedro e da Fafá, eu disse para mim: essa criança não precisará sofrer pelas mesmas ansiedades alheias vividas pelos meus filhos, pela minha mulher, pelos meus amigos mais próximos. Não precisará ter o desgosto de ver um avó sofrendo, tentando em vão encerrar uma obra durante anos e anos. 

Foi nesse instante que decidi: vou terminar o filme como se eu tivesse morrido e como se meus amigos fossem recolhendo fotograma por fotograma, até reconstituir uma história que pudesse chegar ao público, em especial aos professores e estudantes do Brasil.

Mas, mesmo para fazer essa colcha de retalhos era necessário alguns apoios fundamentais. Eu precisava parar de fazer as mil e uma coisas que fazia. Era necessário algum dinheiro para se fazer a edição. Apareceu o cineasta Luiz Fernando Sampaio, que havia apoiado a finalização do documentário que fizemos sobre o Kuarup do Orlando Villas Boas, no Xingú. Ele confessava que sofria só de saber que eu tinha esse filme parado há muitos anos. Apareceu também a Leila Richers, jornalista, amiga, que entendeu toda a situação. Começamos. Vimos fita por fita. foto por foto. texto por texto. E um belo dia pudemos colocar o ponto final. Esse livro em elaboração pensado para ser lançado em 2016. 150 anos do nascimento do Euclides, documenta algumas das passagens mais interessantes da história de A Paz é Dourada. É cheio de documentos, repleto de fotos. Mas o que gosto mais é que ele conta como foi possível o filme possível, sem deixar de mostrar pedaços dos roteiros de outros filmes sonhados e que não vingaram.

Que venha o Sesquicentenário do Autor de Os Sertões

CBH-BIG APROVA RECURSOS PARA A CAMPANHA – NÃO JOGUE SEU ÓLEO PELO RALO

 No contexto da semana do meio ambiente o Comitê de Bacias da Baia da Ilha Grande – CBH-BIG,  em reunião plenária quinta-feira, seis de maio, na sede do INEA – Angra dos Reis,   aprovou por unanimidade os recursos para ampliar o programa de educação ambiental – Não jogue seu óleo pelo ralo.

Com este atual apoio do CBH-BIG e das prefeituras de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro, esta campanha dá mais um passo para consolidar-se como um projeto regional de educação ambiental sustentável, reafirmando o seu reconhecimento com um projeto referência pela campanha Global Passaporte Verde na RIO+20.

Nos  11 anos de campanha – Não jogue seu óleo pelo ralo, foram coletados mais de um milhão e quatrocentos  litros de óleo que, transformados em matéria-prima, foram utilizados pelas indústrias para produção de sabão e biodisel. Uma quantidade expressiva, mas que ainda representa menos de 5 % do óleo jogado nos lixões e ralos das praias da Costa Verde que, como “afluentes” dos rios, poluem a nossa Baía da Ilha Grande.

 Veja matéria  com os vídeos da campanha –http://folhadolitoralcostaverde.com/?p=1721

Não jogue seu óleo pelo ralo completa 11 anos

Reconhecida na Rio +20 como uma referência da Global Passaporte Verde – PNUMA,   a campanha – Não jogue seu óleo pelo ralo completa 11 anos e consolida-se como um projeto de educação ambiental da região da Costa Verde.

 Veja Vídeos da evolução da campanha :

Participando desta campanha, evita-se multas, aumenta a receita de ICMS Verde dos municípios e contribui com o saneamento das comunidade  preservando o meio ambiente.

 

“Casa da Val’ leva saúde mental para a Off Flip”

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O Instituto Casa da Val é um projeto social de acolhimento terapêutico em saúde mental, autônomo, não condicionado ao institucional, situado no Rio de Janeiro.capa_luciano.

A II Mostra Instituto Casa da Val e Amigos, que integra a programação da XVI Off Flip que será realizada de 10 a 13 de julho, apresentará pinturas, desenhos, fotos, objetos, e um parangolé — produzidos pelos partilhantes da ‘Casa da Val’ — na Câmara dos Vereadores de Paraty. Oportunamente, a Casa da Val provoca um debate sobre a importância da transdiciplinaridade nos cuidados da pessoa com transtornos psíquicos, no lugar dos métodos ortodoxos.
Por fim, fará o lançamento do livro ‘Calor do Sábado e outros poemas’, de Luciano Soares Cortes.

Cooperativas de coleta de óleo irregulares não contribuem para a pontuação do ICMS – Ecológico

Prefeituras que não atenderem aos requisitos da coleta de óleo de cozinha usado do PROVE, perderão recursos do ICMS – Ecológico. Veja vídeo:

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Veiculo irregular de coleta de Ubatuba atuando em Paraty.

Paraty, Angra dos Reis e Rio Claro são referências da campanha PROVE Costa Verde – Não jogue seu óleo pelo ralo por atenderem todos os requisitos do PROVE, mas será necessário uma fiscalização conjunta, para evitar que catadores e cooperativas irregulares atuem sem contabilizar o óleo coletado para a pontuação do ICMS – Ecológico destes municípios.

Esta ação conjunta de fiscalização, além de ampliar e garantir a qualidade da coleta, evitará a queda na pontuação e a evasão dos recursos do ICMS – Ecológico para outros municípios.

 

NORMA OPERACIONAL PARA O LICENCIAMENTO DAS ATIVIDADES DE COLETA E TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE RESÍDUOS PERIGOSOS (CLASSE I) E NÃO PERIGOSOS (CLASSES II A E II B).

6.2.13 O resíduo, durante o transporte, deve estar protegido de intempéries, assim como deve estar devidamente acondicionado para evitar o seu espalhamento.

6.2.15 Manter atualizados, à disposição da fiscalização, todos os registros operacionais da empresa, discriminando, minimamente, os geradores, a tipologia dos resíduos (Norma ABNT NBR 10004), o volume (m3), o peso (Kg), o local de tratamento com a indicação da tecnologia e/ou local de destinação.

6.2.16 Em caso de acidente no transporte, as empresas transportadoras dos resíduos deverão comunicar a ocorrência de imediato ao INEA, através do contato telefônico disponibilizado no endereço eletrônico (www.inea.rj.gov.br), apresentando à área técnica, no prazo de 15 (quinze) dias, um relatório detalhado, com fotos de ocorrência, incluindo a descrição dos danos ambientais causados e as medidas de controle e remediação adotadas;

 

ObS – O básico da Sexta

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O “x” da questão é o fortalecimento dos negócios locais e da marca do nosso destino: Paraty, cultura em verde e azul. Este programa é transmitido pelo canal Flitoral21 – You tube, nas sextas-feiras às 21h. 

Sempre teremos entrevistas com personalidades apresentando os produtos culturais, agroflorestais, gastronômicos e turísticos da região.

O programa contará também com o sorteio das “Cestas ObS” compostas por diversos desses produtos mostrados.

Venha participar do sorteio de cestas básicas com os produtos locais no programa ObS Especial, Sexta, 31 de maio, 20h, no Núcleo de Mídias.
Rua João Guimarães Rosa, 284 – Portal de Paraty.
Veja os programas anteriores – https://www.youtube.com/playlist?list=PLqKMEbeCtE4cf3XL2eB7hZinLy044XIXp

 

3º Programa ObS – O Básico da Sexta

O terceiro “ObS – O básico da Sexta” será  transmitido pelo canal Flitoral 21 you tube na sexta-feira, 03 de maio, às 21h.
O “xis” da questão deste programa, que acontece semanalmente, consiste em promover os produtos culturais, agro-florestais, gastronômicos e turísticos, para o fortalecimento dos negócios locais.

Participação:

Chef Caju – Restaurante Casa do Fogo e representante do movimento Gastronomia Sustentável de Paraty.
Morena do Doce – Produtora Rural.
Thales Pançardes- Cantor, compositor e violonista, apresentando do seu  EP Vida Bela

Veja o vídeo, compartilhe, deixe like e assine o canal.

https://www.youtube.com/user/flitoral21?sub_confirmation=1

 

Segundo programa – O básico da Sexta

O segundo “ObS – O básico da Sexta”  transmitido pelo canal Flitoral 21 you tube na sexta-feira, 26 de abril, às 21h.
O “xis” da questão deste programa, que acontece semanalmente, consiste em promover os produtos culturais, agro-florestais, gastronômicos e turísticos, para o fortalecimento dos negócios locais.
https://www.youtube.com/watch?v=kb3VveMsAuU

Participação:

Juliana Frateschi – Chef GS
Cida Cajuru – Produtora Rural dos Palmitos Cajuru GS
Treze, K-lahari e Funk Truta- Representantes dos Grupos de RAP: Valor Invertido, Banka 61 e Contra Cultura, apresentando Rap feito especialmente para ” O básico da Cesta.”

Veja o vídeo, compartilhe, deixe like e assine o canal.

https://www.youtube.com/user/flitoral21?sub_confirmation=1

‘CARAVANAS EUCLIDIANAS’ – A caminho da 15º OFF FLIP

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 A 15º edição da ‘Off  Flip’ terá este ano a participação do emblemático filme  ‘A Paz é Dourada ’, do cult cineasta Noilton Nunes, palestra da escritora Regina Abreu, sobre o seu livro ‘O Enigma de Os Sertões’,  além da apresentação do samba enredo ‘Os Sertões’, de Edeor de Paula, dentro do circuito paralelo de ideias, na semana da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP 2019, que acontecerá de 10 a 14 de julho, na qual o homenageado do ano será o escritor Euclides da Cunha.

João Bosco Gomes e Noilton Nunes

“Caravanas Euclidianas”

 

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“Segundo Noilton,a caravana é composta por uma exposição itinerante, que leva o único filme sobre a vida e obra do escritor fluminense Euclides da Cunha, incluindo palestras, debates, oficina de literatura, documentação audiovisual para jovens do ensino médio e a cesta cultural, composta pelo livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, além de espetáculo musical, com o samba enredo ‘Os Sertões’, de Edeor de Paula, considerado o, hino do Euclidianismo. O projeto faz refletir acerca das desigualdades, educacionais, sociais, almejando um país mais potente, mais diversificado, objetivo das Caravanas Euclidianas.”

Noilton Nunes e Carlos Dei Ribas

 

Noilton Nunes 

WhatsApp Image 2019-04-22 at 17.56.40O cineasta Noilton Nunes é nosso conhecido, desde o final dos anos 1970, quando estreou no cinema com o curta metragem ‘LEUCEMIA’ – o filme da Anistia, cujo tema se reporta à questão política da ditadura militar, que foi apresentado no Teatro da CEU (Casa do Estudante Universitário), na Semana de Comunicação, promovida pela ‘Comissão Aberta de Estudantes de Comunicação da SUAM – CAEC, naqueles idos, evidenciando a participação da juventude no movimento estudantil do Rio de Janeiro em prol da Democracia.

Por Carlos Dei  e João Bosco Gomes .

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