Festival OBS – Nethy & Rhandal

10 de março de 2021

Com a força uterina de uma “leoa”, criativamente fértil, colocando seu talento a serviço de si, de todos ao redor e do universo, Nethy Marques abriu a 3ª edição do Festival OBS Cultura e Biodiversidade, acompanhada por Rhandal Oliveira, Carol d’Ávila, Jonathan Andreolli e Henrique Rosseto, com impecável e avassaladora calmaria sonora – voz e violão, traduzindo os contrastes da sua musicalidade germinada na sua origem do “mato de Paraty” ao hi-tech de Tóquio, passando por São Paulo, onde o seu caminho e o de Rhandal fizeram uma interseção.

A musicalidade dos dois amalgamou-se no palco do Festival, no Núcleo Paraty, onde o discípulo do mestre Kollreuter, contrabaixista compositor e arranjador Rhandal Oliveira, inicialmente acompanhando-a e, depois, com a banda protagonizou, com sua música, deixando fluir a alma dos traços simples, mas essencialmente expressivos da pintura da sua sensibilidade harmônica, como a força dos poetas, que “canalizam a nota certa, mesmo que seja a nota mais simples do mundo”.

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Nethy Marques apresentou composições com lindos versos, de Rhandal Oliveira – Vai minha canção, arranca a solidão de dentro do peito / … Vai minha canção leva a emoção guardada tanto tempo em mim… e outra Sair na madruga / andar pelas calçadas / chutar as pedras e beber pelos bares /…

Tropeçar nas ruas / e lembrar as canções que não cantei / os poemas que não escrevi / os sonetos que não fiz…

E canções de Thed Oliveira – Quem te vê chegar / como quem nunca partiu / não conhece a dor da estrada / que seguiu / se a vida te levou pra longe / também te trouxe para mim…

Rhandal Oliveira, além de músico, é artista plástico – o painel ao fundo do palco é de sua autoria – com a banda formada pelos músicos Henrique Rosseto, João Paulo, Jonathan Andreolli e Lucas Dutra tocou as músicas autorais: Marabotu – um maracatu em homenagem a Botucatu, com participação de Nethy Marques, Saudade de Paraty, Círculos de bailes e a última, Fogão de Lenha, com participação de Carol d’Ávila.


Ele se disse aberto às influências e que um dia leu um artigo trazendo os melhores cantores de todos os tempos do Brasil: Lúcio Alves, Nora Nei, Elizeth Cardoso, Cauby Peixoto, Pery Ribeiro, Jorge Goulart e que sentiu-se muito velho, mas, ao mesmo, “orgulhoso de ter conhecido essas figuras”.

O show de Nethy & Rhandal foi precedido pela apresentação da cultura gastronômica da região, através de chefes, produtores rurais, agro-pesqueiros e apresentação de vídeos com receitas da Gastronomia Sustentável, preparadas com produtos locais, que fizeram parte das cestas OBS – Cultura e Biodiversidade, de Paraty e de Angra dos Reis, sorteadas durante a apresentação. Os ganhadores da noite foram: Laís Barbosa (cesta de Paraty) e Priscila Lima (cesta de Angra).

O Festival OBS – Cultura e Biodiversidade é subsidiado pelo Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.

Vivência experiências e produtos locais


Lia Capovilla lembrou que o Núcleo Paraty reabriu seu espaço para a realização semipresencial do Festival OBS – Cultura e Biodiversidade contemplado na Lei Aldir Blanc, proposto pelo Flitoral, com todos os cuidados sanitários tomados para segurança dos participantes: produtores rurais e produtores  culturais envolvidos na proposta e que os mesmos precisam subsistir na situação do país, com mais de três mil mortes/dia conta do Covid-19.

Lúcio Gama, representando cachaça Pedra Branca e a Associação dos Produtores de Cachaça de Paraty  – Apacap, falou da importância Indicação Geográfica da cachaça de Paraty, da Gastronomia Sustentável que que valoriza a cachaça e os produtos culturais da região, da Gabriela, uma bebida “feita com a nossa cachaça” e com o  melado de cana desenvolvido criado em Paraty – um licor e caiu no gosto popular, um produto dos mais vendidos dos alambiques do município.

Disse que a cachaça é usada na hotelaria de um modo geral, com várias opções de drinks com o melado de cana, um produto tradicional das antigas fazendas, engenhos e sítios de Paraty que servia como adoçante para o café, para comer com caracu aipim, com farinha, com o manuê de bacia, para o pé-de-moleque de gengibre, o puxa puxa, – uma riqueza gastronômica que vem da tradição da culinária local, além de ser rico em ferro, bom para anemia. Lúcio Gama falou que, sempre que for preciso, o segmento apoiará as iniciativas de projetos como o Festival OBS – Cultura e Biodiversidade.

Chef Paulo César (Caju) Disse que iniciou sua atividade mesmo sem conhecer a Gastronomia Sustentável trabalhando com produtos locais há 20 anos, como camarões e frutos do marem geral, de produtores locais. o palmito da dona Cida, de Mambucaba e de regiões próximas, a cachaça local, criando pratos com o caldo de cana do seu Zinho da rodoviária, pratos com camarão flambado e  sobremesas flambadas com as cachaças de Paraty de todos os alambiques e que isso levou o restaurante Casa do Fogo a entrar no circuito internacional, através de revistas de empresas aéreas. Lamentou o fechamento temporário do mesmo devido à crise gerada pela pandemia, mas pretende reabri-lo, em breve.

Caju ressaltou a importância da Gabriela – criada em 1982 por seu Antônio, que juntou cachaça com cravo canela e melado, provocado pela novela Gabriela, cravo e canela – bebida que lhe estimulou a criar drinks, como o Jorge Amado (Gabriela com limão e maracujá) que ficou famoso, divulgado pela primeira e assídua consumidora desse drink, sua amiga Camila que o levou para o concurso de drinks do Festival da Cachaça de Paraty, em 2013.

Dani do Campinho, nascida e criada no Quilombo do Campinho da Independência falou dos produtos locais da Cesta OBS. Filha e neta de agricultores, disse que há anos fortalecem a agricultura familiar com agroecologia e agrofloresta. Lembrou os momentos houve de decadência por causa da falta de valorização da agricultura familiar, mas que perceberam que a sociedade vem adoecendo, devido ao grande uso de produtos contaminados com agrotóxicos, em caixinhas, latinhas, etc, e que na crise da pandemia o coletivo pensa estratégias de comercialização, em saídas para que possam escoar a produção, levando a renda para o agricultor e oferecendo produtos de qualidade para  as pessoas que lhes compram. Hoje divulgam lista de produtos orgânicos e os vendem através do Facebook e Instagram.

Ressaltou que grande parte da produção local fica no restaurante do Campinho, fazendo a economia girar dentro da própria comunidade, comprando e fortalecendo os agricultores locais, incentivando a juventude e as crianças a entenderem que ser agricultor não é coisa atrasada, como ouviu na escola. “Temos muito orgulho de mexer com a terra, de levar essa história adiante, essa cultura que é tão importante para nossa sociedade”, concluiu. A comunidade do Quilombo do Campinho ofereceu 10 cestas com seus produtos para os músicos que participaram do Festival OBS – Cultura e Biodiversidade.

Carol d’Ávila levou um CD da Oficina do Som, um trabalho que foi realizado inteiramente em Paraty por muitas mãos, a começar pela Casa da Cultura onde nasceu o projeto. Disse que fez parte do projeto de Educação Musical de Paraty e que tem muita honra e alegria de ter contribuído por 5 anos para a formação musical de muitas pessoas e que o CD é o resultado de cinco anos de trabalho. Também levou uma camisa da Oficina do Som uma camisa ecológica, feita de garrafa pet reciclada.


Einar Alonso falou da importância das abelhas nativas na preservação do meio ambiente e na produção do mel utilizado nas receitas culinárias. Seu interesse por abelhas surgiu quando participou de um trabalho de resgate de fauna na Amazônia e do resgate de abelhas no Rio Iguaçu. Disse que 80% da manutenção dos ambientes naturais fica por conta da polinização das abelhas e 60% da produção agrícola que também compete as abelhas. Ofereceu para a Cesta OBS pinturas das abelhas mandaçaia, jataí e uruçu amarela.



Ladjane Silva refez sua fala inicial, prejudicada por problemas técnicos. Lembrou a campanha coleta de óleo Não jogue seu óleo pelo ralo dentro da economia sustentável da cidade criativa, e do título Paraty e Ilha grande Patrimônio Mundial – cultura e Biodiversidade, um projeto da Cooperativa Serra do Mar, que atende Angra, Paraty e Rio Claro, um projeto “que vai ficar para futuras gerações, então pedimos a colaboração de toda a parte política, e que toda a comunidade o veja como algo que vai beneficiar a todos”. Ela doou sabão produzido com o óleo coletado de Paraty para a Cesta OBS.

Apresentou o veículo adesivado da cooperativa/campanha, para mostrar e conscientizar as pessoas sobre a importância da seriedade na coleta de óleo de forma correta, com carro fechado, bombonas, etc, atendendo às exigências de licenciamento do Ibama e Secretarias Municipais do Meio Ambiente, de armazenamento e destinação final, dentro dos parâmetros da preservação do meio ambiente. Desta forma, alertando os restaurantes a tomarem cuidado na entrega do seu óleo usado, pois esse material processado pela Cooperativa Serra do Mar gera um “manifesto” que é entregue às prefeituras e estas geram outro “manifesto” que vai para a Secretaria de Estado do Ambiente, transformando os números na pontuação do ICMS Ecológico, que gera recursos para os municípios, resultado de um árduo trabalho da Agenda 21 de Paraty, observou, que conseguiu inserir a coleta de óleo usado nessa pontuação.

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Folha do Litoral Costa Verde