Mata Atlântica -Tempo de Regeneração: Queimadas na Mata Atlântica

23 de outubro de 2020

Comemorando os 20 anos do vídeo ‘Queimadas na Mata Atlântica’ e do ‘Projeto de Arborização da Rodovia Rio-Santos’, um grupo de instituições e parceiros, com o objetivo de evitar as queimadas na beira das estradas, lançam a série ‘Mata Atlântica – Tempo de Regeneração’ composta por seis vídeos documentários e um fórum sobre esta temática, que será realizado no final de novembro, propondo a continuidade deste projeto de regeneração da Mata Atlântica.

I – Queimadas na Mata Atlântica
D. João Henrique de Orleans e Bragança

Para D. João Henrique de Orleans e Bragança, a Mata Atlântica tem a sorte e a não sorte de ter 80% da população concentrada na costa brasileira, uma Mata com maior biodiversidade do que a Amazônia e, em alguns lugares do Brasil, por estar perto de grandes centros urbanos, que tem mais ocupação e agressão, a Mata tem mais visibilidade nos meios de comunicação e com essa população, que aumentou nos últimos 20 anos,ficando mais presente, e que exige-se mais cuidados ambientais. Observou que, cada vez mais, alguns municípios, como Paraty e Ilhabela, que é uma das maiores ‘manchas’ de Mata Atlântica do Brasil, como também o sul da Bahia sao reservas das mais ricas em estações, contudo lamenta que a Mata Atlântica hoje ocupe apenas algo em torno de 8% do que era originalmente, ao contrário da Amazônia, que ocupa 90%, ressaltando que em Ilhabela e Paraty, a Mata Atlântica conseguiu se regenerar, porque eram áreas de plantio de banana e mandioca há 30, 40, 50 anos e hoje as pessoas não mais utilizam para esse tipo de plantação, porque eram plantações de subsistência.

Comentou sobre fotos aéreas de 50, 40, até 30 anos atrás, em que áreas recuperados de Mata Atlântica eram devastadas, que tem esse lado bom, mas que a pressão continua grande e o fogo na época de inverno na região, de maio a julho/agosto se vê focos de incêndio em áreas até do Parque Nacional da Bocaina, onde a fiscalização não entra. Isso, vaticínio, é um dos maiores problemas hoje e é necessário mais fiscalização, mais rigidez nas leis, como as multas em relação à destruição da Mata Atlântica. Disse que, ainda hoje, olha-se para as serras e se vê focos de incêndio, fumaça alta que se sabe que tem gente destruindo a mata e, em outras matas secundárias, derrubam para plantar ou até para fazer pastos. Então, complementa, isso é uma das coisas que hoje deveria ser melhor cuidados, a fiscalização. “Sinto que o governo federal não está muito preocupado em como destruir máquinas de madeireiros clandestinos, fazer valer o que é a lei. Tem coisas muito boas acontecendo nos últimos 20 anos, mas coisas ruins também”, disse.

Sobre Paraty, Patrimônio Mundial pela Cultura e Biodiversidade, amplificando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, observou que a Unesco considerou Paraty não só um patrimônio arquitetônico, histórico, mas como patrimônio natural; que o primeiro pedido para se considerar Paraty Patrimônio da Humanidade era só Patrimônio Histórico e, de lá para cá, o meio ambiente se valorizou muito e as atenções estão muito muito voltadas para essa questão. Hoje, acrescentou, Paraty é um dos 20 patrimônios mistos do mundo, natural ambiental e cultural, que de duzentos e poucos patrimônios reconhecidos pela pela instituição, menos de 10% é patrimônio misto. “A queimada, obviamente, tem que ser combatida. Já era antes, mas hoje deve ser muito mais fortemente, porque até a agricultura, os plantadores de cana de São Paulo, por exemplo, não podem mais botar fogo na palha de cana, há uma lei em São Paulo controlando isso. Até a agricultura hoje em dia toma cuidado com a questão ambiental, porque sabe que se não tiver equilíbrio ambiental, ela também vai para o brejo”, salientou. Disse ainda que a tomada de consciência está devagarinho, a consciência do fazendeiro hoje em dia se torna cada vez mais sustentável ambientalmente. Então, a queimada é um problema enorme para a natureza para a diversidade, porque se queima absurdanente muito mais coisas do que o que seria a intenção inicial.

Para ele, o projeto “Mata Atlântica o fim das queimadas” deve continuar para valorizar Paraty Patrimônio Mundial da Unesco, “um bem da humanidade, ambiental e cultural, abrangendo toda a Mata Atlântica que temos hoje em Paraty, a Baía de Paraty, com todas essas ilhas quase intocadas, o que é um avanço enorme, com as leis ambientais, a Apa do Cairuçu, a reserva de Tamoios, a reserva ecológica da Joatinga, o Parque Nacional da Bocaina, são 4 ou 5 legislações ambientais no mesmo município, isso transformou no que Paraty é hoje. Inclusive, digo, há 30 anos, que o grande atrativo turístico é a conservação, antigamente era só a parte cultural arquitetônica e hoje em dia, a ambiental”, concluiu D. João Henrique de Orleans e Bragança.

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Folha do Litoral Costa Verde